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"Temos obrigação de salvar tudo aquilo que ainda é susceptível de ser salvo, para que os nossos netos, embora vivendo num Portugal diferente do nosso, se conservem tão Portugueses como nós e capazes de manter as suas raízes culturais mergulhadas na herança social que o passado nos legou."  (Jorge Dias)
 
 
 
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A Toponímia e a Etnografia
- Olivença recupera toponímia portuguesa

 

 

Carlos Gomes(*)

(Continuação...)

Durante a Idade Média, as cidades tornaram-se grandes centros de actividade mercantil onde se feirava no rocio e, sob protecção das suas muralhas fortificadas, trabalhavam os artesãos dos mais variados ofícios. Organizados em corporações e agrupados em locais determinados, a sua actividade ficou assinalada na toponímia dos burgos medievais – aqui, o topónimo tinha uma função essencialmente utilitária, um tanto à semelhança das modernas placas informativas colocadas em pontos estratégicos das grandes cidades. Perduram, aliás, em muitas localidades portuguesas, numerosas ruas que identificam a actividade que aí era predominantemente exercida.

Porém, sobretudo a partir do Romantismo, começaram as cidades a serem decoradas com estatuária a celebrar importantes vultos ou acontecimentos históricos, o mesmo sucedendo em relação à toponímia. As novas ideias do Liberalismo e, mais tarde, do republicanismo, procuravam desse modo edificar um novo culto e construir uma “religião cívica”. Em Lisboa, a freguesia do Sagrado Coração de Jesus passou então a denominar-se de “Bairro Camões”, denominação que o próprio tempo votou ao esquecimento. Apesar dos actuais critérios que presidem à atribuição de topónimos, a maioria dos quais procurando consagrar nomes de figuras ilustres que se pretende homenagear, persistem ainda na toponímia das cidades aqueles que nos descrevem a sua História e as suas características como se verifica em Lisboa com as designações Areeiro, Lumiar, Regueirão dos Anjos ou Alcântara e, nas suas artérias, as alusões aos ofícios na baixa pombalina.

Para além ser um elemento de interesse para a compreensão do local, a toponímia constitui ainda um factor de identidade enquanto testemunho de uma cultura e de reconhecimento da pertença a um povo. Não admira, pois, que ao longo de mais de dois séculos de ocupação, a toponímia do município de Olivença tenha sido adulterada e substituída por topónimos de origem espanhola, em língua castelhana. E, essa alteração foi ao ponto de mudar a designação da pequena localidade de São Bento da Contenda por S. Benito de Olivenza, atitude que apenas é comparável com as mudanças dos nomes das cidades nos países do leste europeu ao tempo do “socialismo científico”.

Por proposta da Associação Além Guadiana, a autarquia oliventina decidiu recuperar a toponímia portuguesa nas ruas de Olivença, identificadas embora a par dos topónimos em castelhano. Tratou-se de uma medida que deve ser reconhecida como meritória na medida que reflecte o respeito pela população originária de Olivença ou seja, aquela que possui origens portuguesas. É que, mau grado as políticas demográficas e a limpeza étnica e de assimilação cultural que foram levadas à prática no decorrer dos mais de duzentos anos de ocupação e que incluiu a proibição do uso da Língua portuguesa, as raízes portuguesas resistem ainda na alma das suas gentes. Da mesma forma que, sem legitimar o actual estatuto político daquela localidade, também aqueles que vindos de outras regiões de Espanha ali passaram a habitar, devem ser de igual modo respeitados na sua própria identidade cultural.

Mas, em respeito pelas origens toponímicas que identificam a localidade, a sua História e a cultura das suas gentes, também o nome de Olivença – não Olivenza! – deve perdurar em evocação à terra das oliveiras que lhe dão o nome e que, por esse motivo, estão consagradas no próprio brasão da cidade.

(*) Jornalista, Licenciado em História


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