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A génese histórica dos Grupos Folclóricos

 

Carlos Gomes(*)

(Continuação)

Com efeito, o associativismo popular começa por despontar nos meios operários e burgueses dos maiores núcleos urbanos, alastrando-se posteriormente para as cidades e vilas da província, à medida que crescia a implantação dos ideais republicanos e a própria maçonaria constituía as suas lojas e triângulos, recrutando para a sua causa as elites locais. Não admira, pois, que as primeiras manifestações organizadas do folclore português tenham servido para animar festas da sociedade local ou instituições constituídas dentro do espírito republicano.

O jornal humorístico “O Sorvete”, na sua edição nº. 123 de 4 de Setembro de 1892, dava conta da deslocação ao Porto de um “grupo de lavradeiras de Ponte de Lima”, descrevendo-a nos seguintes termos: "Graças á iniciativa dos generosos Bombeiros Voluntarios tiveram os portuenses occasião de vêr com os seus proprios olhos o que é uma esturdia no Minho. Lavradores e lavradeiras de puro sangue. Musica genuina da aldeia; cantadores e cantadeiras de fina raça; danças e cantares, tudo, enfim que o Minho tem. Lourenço, o director da musica, tornou-se a figura mais saliente entre o seu grupo, pois que, ás primeiras gaitadas adquiriu logo as simpatias do publico que o chamou repetidas vezes e o cobriu de aplausos delirantes.

O sympathico Lourenço, quer na flauta, que toca bem - quer no sanguinho de Nosso Senhor Jesus Christo - mostrou-se um bom beiço. Das raparigas: a Thereza, a Rita e a Maria, muito alegres e folgazonas, as outras tambem muito pandegas. E p'ra que viva Ponte do Lima!". Algum tempo decorrido, mais precisamente em 1904, era constituído o Rancho das Lavradeiras de Carreço, em Viana do Castelo.

A invenção da fotografia e das técnicas de gravação sonora constituíram, entre outros aspectos, factores determinantes que possibilitaram a preservação de memórias históricas entre as quais se incluem as de natureza etnográfica. O espírito romântico associado à necessidade de preservar a identidade cultural perante o crescimento de uma sociedade moderna e industrial que ameaçava dissolver os costumes tradicionais levou ao aparecimento de formas organizadas de salvaguarda de um património cultural que corria o risco de desaparecer. O associativismo então emergente como forma de participação cívica fez o resto. Não admira, pois, que a generalidade dos grupos folclóricos actualmente existentes reporte a sua representação aos finais do século XIX e começos do século XX, beneficiando ainda da resistência dos materiais que constituem a sua fonte documental, mormente as peças de vestuário que exibem.

(*) Jornalista, Licenciado em História


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