Superstições relacionadas com o vestuário

 

Superstição (do latim superstitio, “profecia, medo excessivo dos deuses”) ou crendice é a crença em situações com relações de causalidade que não se podem mostrar de forma racional ou empírica. Ela geralmente está associada à suposição de que alguma força sobrenatural, que pode inclusive ser de origem religiosa, agiu para promover a suposta causalidade.

Superstições são, por definição, não fundamentadas em verificação de qualquer espécie. Elas podem estar baseadas em tradições populares, normalmente relacionadas com o pensamento mágico. Por regra,  quem é supersticioso acredita que certas ações (voluntárias ou não) tais como rezas, curas, conjuros, feitiços, maldições ou outros rituais, podem influenciar de maneira transcendental a sua vida. (Fonte, texto adaptado)

A seguir, vamos transcrever algumas superstições relacionadas com o vestuário, apresentadas pelo Dr. José Leite de Vasconcelos, na sua obra “Etnografia Portuguesa”:

 

A nudez favorece a irradiação da força mágica, que reside no homem, e ao mesmo tempo fá-lo mais sensível a forças exteriores (Handw., IV, 514).

No concelho de Vila Velha de Ródão, freguesia do Fratel, e também em Oliveira do Hospital, Travanca de Lagos, Andorinha, dizem que os cães não ladram aos homens nus e que os ladrões se aproveitam disso.

Na Beira Alta, quando as mulheres cosem botões em roupas que as pessoas tenham vestidas, dizem: «Não coso vivo nem coso morto, coso o vestido porque está roto.»

Quando se cose e a linha embaraça, em Lisboa, para se desembaraçar vai-se cantarolando continuamente: «Desembaraça-te, linha, que eu te darei uma caixinha.» E no Algarve dizem:

Senhor Sant’Ana,
Por aqui passou,
Tudo quanto viu,
Tudo desempeçou.

Vestir a roupa virada é mau agouro (Abade José Tavares, Carviçais, Moncorvo, Abril de 1904), mas em Lisboa, vestir uma peça de roupa do avesso é sinal de que se vai receber uma prenda nesse dia (Cf.: Handy.: «Kleid tausch»).

Há na Capela da Senhora do Castelo (Carviçais, Moncorvo, informação do Abade José Tavares, 1904) uma santa com um chapéu na cabeça. Quem sofre de dores de dentes e põe sobre a cabeça o chapéu do santo fica curado.

Em Lisboa, crê-se que, se uma rapariga põe o chapéu de um homem, não se casa.

Durante algumas dezenas de anos foi costume, pelo menos em Lisboa, as mulheres nunca entrarem num templo, de cabeça descoberta: se não tinham chapéu e mantilha, colocavam um lenço de assoar.

Em Carviçais, Moncorvo (Abade José Tavares, 1904), crê-se que quem morre mascarado vai para o Inferno. Também ali se crê que é de muito mau agouro dormir com os sapatos no sobrado, voltados com as palmilhas para cima, ou com os sapatos à cabeceira, ou com o chapéu aos pés (ou com a candeia no chão). Também é aziago, algures, colocar os sapatos em disposição inversa.

Paremiologia:

«Quem tem capa sempre escapa».

«Capote no Verão, ou é rato ou é ladrão».

Fonte: Etnografia Portuguesa – vol.VI, J. Leite de Vasconcelos

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