São Macaio | Danças tradicionais açorianas

 

São Macaio” é uma canção dançada nos Açores. Foi sobretudo na ilha Terceira que a sua tradição se generalizou. Tudo leva a crer que o seu nome original, seja São Macário e que o nome com que ficou conhecido seja já uma degeneração do primeiro. Acredita-se que São Macário seria um navio que andava entre as ilhas e o Brasil, e que teria naufragado numa das suas viagens. Pois como diz a canção; “São Macaio, deu à costa (…) toda a gente se salvou (…) só o São Macaio é que não”.

São Macaio é uma dança de roda, um pouco semelhante à ’chula’ do Minho. Originalmente, esta era uma moda que se dançava nos ‘balhos’ ou bailes das aldeias, nos quais as pessoas não necessitavam de qualquer traje típico para evidenciar as suas capacidades de bailadores. Um baile era, geralmente, dividido em várias partes, consoante as modas: começava-se com a charanga, que é uma moda com influências africanas; depois vinha o São Miguel ou “virar do baile‘ ou ´ ’os mares’ como também é conhecida; de seguida o São Macaio, depois a “tirana” e por fim a ‘chamarrita’. Esta última é dançada em todas as ilhas.

É possível encontrarmos algumas semelhanças entre algumas ilhas, no que toca às danças. É o que acontece entre a Terceira, a Graciosa e São Jorge. Entre São Miguel e Santa Maria também é possível encontrar algumas semelhanças bem como entre o Faial e o Pico.

A Terceira é conhecida como a ilha onde se toca e canta melhor. Já as coreografias das danças são bastante simples pois o seu mérito vai sobretudo para o canto. Antigamente mais do que hoje, bastava alguém pegar na viola da terra e logo, se faziam ouvir as vozes. E foi neste ambiente que o São Macaio foi levado à cena. É uma moda lenta e longa e por isso, é hoje menos dançada. É que o São Macaio que antigamente era dançado por qualquer um nos “balhos” da ilha passou a ser encenado pelos membros dos agrupamentos folclóricos. Hoje já não se dança só a tradição, dança-se também pelo espectáculo. E o facto do São Macaio ser uma dança um pouco monótona, não ajuda muito.

A moda principia com uma roda em que os pares estão voltados uns para os outros, depois a mulher vão avançando e o homem recuando. Fazem duas rodas concêntricas e vão-se movimentando até voltar a posição inicial. A roda é sempre a forma principal da dança que é comandada pelo mandador. Antigamente, nos ‘balhos’ o mandador era o tocador da viola. Agora, nos agrupamentos folclóricos há sempre alguém com essa função.

Uma vez que não existe um traje único associado à dança, é frequente vermos os agrupamentos folclóricos envergarem os trajes típicos das ilhas. É por exemplo o do pastor com a camisola de linho, o camisolão grande, as calças de fazenda, à base de lã, pretas ou acastanhadas, um barrete de borla e umas alpercatas ou sapatas de cabedal. A mulher usa o traje igualmente feito no tear de lã, com as cores típicas: o vermelho, o rosa, o castanho e o roxo.

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S. Macaio, S. Macaio deu à costa
Ai deu à costa nos baixos da urzelina

Toda a gente, toda a gente se salvou
Ai se salvou, só morreu uma menina

S. Macaio, S. Macaio deu à costa
Ai deu à costa lá na ponta dos mosteiros

Toda a gente, toda a gente se salvou
Ai se salvou, só morreu dois passageiros

S. Macaio, S. Macaio deu à costa
Ai deu à costa nas pedras da fajazinha

Toda a gente, toda a gente se salvou
Ai se salvou, só morreu uma galinha

S. Macaio, S. Macaio deu à costa
Ai deu à costa nos baixos do Maranhão

Toda a gente, toda a gente se salvou
Ai se salvou, só o S. Macaio não

Notas

urzelina = [Açores] terreno semeado de urzela (líquen de que se extrai uma tinta de cor violeta)
fajazinha = [Açores] terreno plano, cultivável, de pequena extensão, situado à beira-mar, formado de materiais desprendidos da encosta
maranhão = grande mentira; peta grossa; palão / na música faz referência a um lugar da ilha do Corvo

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