Rosa Ramalho (Rosa Barbosa Lopes) | Pessoas

 

Rosa Barbosa Lopes, conhecida por Rosa “Ramalho” (ou Ramalha), nasceu a 14 de Agosto de 1888, em Galegos S. Martinho, concelho de Barcelos, filha de um sapateiro e de uma tecedeira. Aprendeu a “acariciar” o barro desde muito nova: primeiro na casa de um vizinho, e depois, com apenas 13 anos, estabelecendo-se por conta própria. Com apenas sete anos de idade, começou a reproduzir em barro os cestos de vime que via os ciganos fazer.

Aos 18 anos, casou com um moleiro, de quem teve sete filhos, tendo abandonado a arte, durante cerca de 50 anos, para tomar conta da família. Só após a morte do marido, e já com 68 anos de idade, retomou o trabalho com o barro e começou a criar as figuras que a tornaram famosa.

A arte e o nome de Rosa Ramalho saiu do anonimato devido ao pintor António Quadros, através da crítica artística e a sua divulgação nos meios culturais do país e do estrangeiro, depois de a ter visto, um dia, a fazer um boneco em barro com uma agilidade desconcertante, na feira das Fontainhas, no Porto.

As suas peças simultaneamente dramáticas e fantasistas, denotadoras de uma imaginação prodigiosa, distinguiam-na de outros barristas e oleiros e proporcionaram-lhe uma fama que ultrapassou fronteiras.

Analfabeta mas de uma imaginação prodigiosa, Rosa Ramalho criou e recriou o mundo à sua maneira com pedaços de barro. A sua obra vagueia entre o dramatismo e o fantástico, características que a distinguiram dos demais ceramistas e a tornaram numa figura emblemática da olaria tradicional portuguesa.

Sempre revelou uma enorme criatividade e um forte poder de visualização. Tornou-se famosa pelos seus “figurões” e crucifixos.

Em 1968, Rosa Ramalho recebeu a medalha “As Artes ao Serviço da Nação“, tendo, ainda nesse ano, sido apresentada na Feira de Artesanato de Cascais, pelo que os seus trabalhos passaram a ser procurados por milhares de portugueses e estrangeiros.

Foi ela a primeira barrista a ser conhecida individualmente pelo próprio nome e teve o reconhecimento, entre outros, da Presidência da República, que em 9 de Abril de 1981, a título póstumo, lhe atribuiu o grau de Dama da Ordem de Sant’Iago da Espada.

 

 

Rosa Ramalho faleceu no dia 24 de Setembro de 1977, e foi a sepultar no pequeno cemitério de S. Martinho. A população de Barcelos dirigiu, logo na altura, uma proposta ao governo no sentido de transformar o barracão e o telheiro num museu de cerâmica com o nome da barrista.

Actualmente dá nome a uma rua da cidade de Barcelos e a uma escola EB 2,3 da freguesia de Barcelinhos. A sua antiga oficina, em São Martinho de Galegos, poderá vir a tornar-se num museu de olaria com o seu nome.

O seu trabalho está a ser continuado pela neta, Júlia Ramalho, que a acompanhava no trabalho do telheiro.

Fonte: Texto adaptado de vários textos recolhidos na internet