Romaria ao Senhor da Serra | Belas – concelho de Sintra

 

Nos finais do século XIX e começos do século XX, a romaria ao Senhor da Serra que se realizava na localidade de Belas, no concelho de Sintra, foi uma das mais afamadas e concorridas que então ocorriam nos arredores de Lisboa.

As festas tinham lugar na magnífica herdade do antigo Paço Real de Belas, a poucos quilómetros de Queluz, o qual integra uma capela do Senhor da Serra e a Via-sacra, constituindo estes os principais motivos de atracção dos romeiros. A região é abundante em monumentos megalíticos, existindo no local um dólmen sobre cuja tampa se encontrava derrubada, tinham por costume os romeiros escorregar sobre ela, tradição que sugeria a sobrevivência de ritos ancestrais ligados à fertilidade.

Terminada a romaria, os festeiros regressavam como podiam: de carroça e a pé ou de comboio, que o tinham de apanhar na gare de Queluz. Em 1873, foi inaugurada a linha de Sintra ou, para ser mais rigoroso, a linha do Oeste que, a partir da localidade do Cacém, dispunha do ramal de Sintra. No trajecto, por estrada, de retorno a Lisboa, muitos faziam uma paragem para cear na Quinta do Caliça ou no Pedro dos Coelhos, tendo este sido celebrizado no romance “Os Maias”, de Eça de Queirós.

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O Paço Real de Queluz, também conhecido por “Quinta do Marquês”, remonta ao século XIV e teve origem numa propriedade pertencente ao cavaleiro Gonçalo Anes Correia. Ao longo dos tempos, mudou sucessivamente de dono, tendo inclusivamente pertencido a Diogo Lopes de Pacheco, um dos assassinos de Inês de Castro, razão pela qual foi expropriada por D. Pedro e aí construído o palácio onde também residiu.

 

À semelhança do que se verificou com outras festividades populares que envolviam uma componente religiosa, a Romaria ao Senhor da Serra veio a entrar em declínio e finalmente a desaparecer em consequência do ambiente político marcadamente anti-clerical e mesmo anti-religioso que se seguiu. De notar que as fotos datam de 1907, escassos três anos antes da implantação do regime republicano em Portugal.

Carlos Gomes, Jornalista, Licenciado em História | Fotos: Arquivo Fotográfico da da CM de Lisboa