Provérbios populares sobre meses do ano

 

Ao longo dos séculos, o povo português criou e preservou, passando de geração em geração, um conjunto diversificado de provérbios ou ditos populares ligados à vida agrícola, à respetiva região, à família, aos amigos e à sociedade em geral, etc.

Deixamos aqui alguns provérbios ou adágios recolhidos em diversas localidades da região de Trás-os-Montes e Alto Douro, e que nos falam sobre os meses do ano, para acrescentar a outros já disponibilizados em Calendários.Info.

«Quatro coisas há no mundo
Que nunca lhe faltarão:
As trovoadas em Maio,
A névoa de S. João,
O Verão de S. Martinho,
Tempestade em S. Simão.»

 

Sobre o mês de Janeiro
» Janeiro: geeiro.
» Janeiro molhado não é bom para o pão, mas é bom para o gado.
» Janeiro frio e molhado enche a tulha e farta o gado.
» Em Janeiro, sete casacos e um sombreiro.
» Em Janeiro, seca a ovelha no fumeiro.
» Em Janeiro, cada pinga mata seu grãeiro.

Sobre o mês de Fevereiro
» Fevereiro: rego cheio.
» Fevereiro enxuto rói mais que todos os ratos do mundo.
» Chuva de Fevereiro mata o onzeneiro.
» Água de Fevereiro enche o celeiro.
» Em Fevereiro, chega-te ao lameiro.
» Fevereiro afoga a mãe no ribeiro.

Sobre o mês de Março
» Enxame de Março apanha-o no regaço.
» Março zangado é pior que o diabo.
» Em Março, onde quer passo.
» Em Março, tanto durmo como faço.
» Sol de Março queima a dama no paço.
» Em Março, chove cada dia um pedaço.

Sobre o mês de Abril
» Em Abril, mau é descobrir.
» Abril: águas mil, quantas mais puderem vir.
» Abril molhado, ano abastado.
» Seca de Abril deixa o lavrador a pedir.
» Abril frio e molhado enche o celeiro e farta o gado.
» Abril frio: pão e vinho.

Sobre o mês de Maio
» Maio couveiro não é vinhateiro.
» Maio pardo faz o ano farto.
» Fraco é o Maio se o boi não bebe na pegada.
» Fraco é o Maio que não rompe uma croça.
» Guarda para Maio o teu melhor saio.
» Em Maio, nem à porta saio.

Sobre o mês de Junho
» Sol de Junho amadura tudo.
» Chuva de Junho: peçonha do mundo.
» Chuva de Junho: mordedura de víbora.
» Chuva junhal: fome geral.
» Junho chuvoso: ano perigoso.
» Enxame de Junho nem que seja como punho.
» Em Junho, perdigotos como punho.

Sobre o mês de Julho
» Em Julho, prepara o vasculho.
» Em Julho, reina o gorgulho.
» Não há maior amigo do que Julho com seu trigo.
» Julho abafadiço: abelhas no cortiço.
» Chuva de Julho que não faça barulho.

Sobre o mês de Agosto
» Agosto nos farta, Agosto nos mata.
» Quem em Agosto ara, riqueza prepara.
» Chuva em Agosto enche o tonel de mosto.
» Chuva em Agosto: açafrão, mel e mosto.
» Quando chove em Agosto, chove mel e mosto.
» Agosto amadurece, Setembro vindimece.
» Agosto tem culpa se Setembro leva a fruta.
» Em Agosto, toda a fruta tem gosto.
» Temporã é a castanha que em Agosto arreganha.
» Seja o ano que for, Agosto quer calor.
» Se queres o teu homem morto, dá-lhe couves em Agosto.
» Em Agosto, candeeiro posto.
» Em Agosto, frio no rosto.

Sobre o mês de Setembro
» Setembro: mês dos figos e cara de poucos amigos.
» Setembro molhado: figo estragado.
» Setembro é o Maio do Outono.

Sobre o mês de Outubro
» Logo que Outubro venha, prepara a lenha.
» Em Outubro, o sisudo colhe tudo.
» Em Outubro, sê prudente: guarda pão e semente.
» Em Outubro, pega tudo.
» A árvore plantada no Outono tem um ano de abono.

Sobre o mês de Novembro
» Cava em Novembro e planta em Janeiro.
» Em Novembro põe tudo a secar, pode o Sol não tornar.
» Novembro é quente no começo e frio no fim
» Em dia de São Martinho (11), lume, castanhas e vinho.
» De Todos-os-Santos ao Santo André (dia 30), um mês é; de Santo André ao Natal, três semanas.
» De Santos ao Natal é bom chover e melhor nevar.
» Se o Inverno não errar caminho, tê-lo-eis pelo S. Martinho.
» Por Santo André todo o dia noite é.
» Pelo S. Clemente, alça a mão da semente.
» Novembro à porta, geada na horta.
» No dia de S. Martinho, mata o teu porco e bebe o teu vinho.
» Pelos Santos, neve nos campos.
» Por S. Martinho, todo o mosto é bom vinho.
» Se queres pasmar o teu vizinho, lavra, sacha e esterca pelo S. Martinho.
» Por Santo André, o sete-estrelo posto é.
» De Santa Catarina (25) ao Natal, tempo igual.

Sobre o mês de Dezembro
» Em Dezembro, treme de frio cada membro.
» Em Dezembro, lenha no lar e pichel a andar.
» Em Dezembro, descansar, para em Janeiro trabalhar.

Fonte: Literatura Popular de Trás-os-Montes e Alto Douro, Joaquim Alves Ferreira, IV Volume, 1999.

Se gostou, pode ver aqui outros provérbios sobre os meses do ano, recolhidos em diversas localidades de Portugal.