O Arquipélago dos Açores com as suas nove ilhas

 

Aspectos geográficos

O arquipélago dos Açores é formado por nove ilhas e alguns ilhéus inabitados (as Formigas). Ao Grupo Oriental pertencem Santa Maria e São Miguel, ao Grupo Central, a Terceira, a Graciosa, São Jorge, o Pico e o Faial; e ao Grupo Ocidental pertencem as Flores e o Corvo. O arquipélago situa-se no Atlântico norte, a 1500 km a oeste de Lisboa e a 3400 km a leste de Nova Iorque.

O interior das ilhas é extremamente acidentado, registando a montanha do Pico (2351 m), na ilha do Pico, a maior altitude de todo o território nacional.

Todas as ilhas são de origem vulcânica, conhecendo-se erupções históricas nas ilhas de São Miguel, Terceira, São Jorge, Pico e Faial. O vulcanismo mantém-se activo em várias ilhas, sendo aproveitado como fonte de energia geotérmica. No fundo de algumas crateras de vulcões extintos, encontram-se lagoas, sendo a mais famosa a Lagoa das Sete Cidades, na ilha de São Miguel.

Os Açores situam-se numa zona de forte actividade sísmica, tendo já sofrido vários abalos, destacando-se o sismo mais recente ocorrido em 9 de Julho de 1998, sentido em seis das ilhas, que atingiu a magnitude de 5,8 da escala de Richter.

O clima do arquipélago é temperado marítimo, oscilando a temperatura média entre cerca de 14ºC no Inverno e 22ºC no Verão, e atingindo a pluviosidade média anual valores superiores a 1000 mm.

Sobretudo a partir dos anos 60, a população mais jovem dos Açores, em busca de melhores condições de vida, partiu, em forte fluxo migratório, para Portugal continental e para os Estados Unidos da América, Canadá e Brasil. Em consequência, verificou-se um decréscimo da população, bem como o seu envelhecimento. Nos anos mais próximos, contudo, tem havido um aumento da taxa de natalidade. Por outro lado, as ilhas oferecem já maiores oportunidades, tendo, portanto, maior capacidade de fixação das novas gerações.

Tal como o arquipélago da Madeira, os Açores são uma região autónoma de Portugal, o que lhes concede o privilégio de uma administração com órgãos regionais próprios, embora dependentes, em certos domínios, das instituições nacionais com sede em Lisboa.

O arquipélago compreende os concelhos de Corvo, Santa Cruz das Flores, Lajes das Flores, Horta, Santa Cruz da Graciosa, Velas, Calheta, São Roque do Pico, Madalena, Lajes do Pico, Praia da Vitória, Angra do Heroísmo, Ponta Delgada, Lagoa, Ribeira Grande, Vila Franca do Campo, Povoação, Nordeste e Vila do Porto.

O natural ou habitante da Região Autónoma dos Açores denomina-se açoriano ou açorense.

 

História e monumentos

As primeiras referências às ilhas dos Açores aparecem em documentos portugueses da primeira metade do século XV. O povoamento destas ilhas terá começado por esta altura, não só com portugueses, oriundos principalmente do Algarve e do Alentejo, mas também com flamengos. As ilhas foram entregues a capitães-donatários que eram responsáveis pela exploração dos recursos naturais. Ao longo da história do arquipélago registaram-se diversos movimentos de emigração, nomeadamente para o Brasil e para os EUA. Os Açores tiveram um papel de destaque em vários momentos da nossa História, como é o facto de no final do século XVI ter sido o último ponto de Portugal a ser dominado pelas forças filipinas.

A sua importância estratégica manteve-se até ao século actual, tendo-se instalado no arquipélago, durante a Segunda Guerra Mundial, bases dos Aliados, continuando hoje os EUA a usufruir desta localização. Encontram-se nos Açores inúmeras casas brasonadas, igrejas e vários fortes.

Em 1983 e 2004, respectivamente, a UNESCO reconheceu Angra do Heroísmo e a Paisagem da Cultura da Vinha da Ilha do Pico como Património Mundial, e, em 2007, classificou as ilhas do Corvo e Graciosa como Reservas da Biosfera.

 

Tradições, lendas e curiosidades

As festas açorianas caracterizam-se pelo seu carácter fortemente religioso, destacando-se as festas do Espírito Santo que se estendem a todas as ilhas. Estas festividades, levadas para os Açores pelos primeiros colonos, terão sido fruto da devoção que a Rainha Santa Isabel dedicava ao Divino Espírito Santo. A ocorrência de catástrofes naturais, a dureza da vida e o isolamento das ilhas aliados à fama dos milagres operados pelo Espírito Santo contribuíram para que o culto se desenvolvesse e ganhasse raízes, sendo muitas vezes levado pelos emigrantes açorianos para terras distantes, onde ainda hoje são repetidas as antigas cerimónias, como, por exemplo, no Brasil, Havai, EUA e outros locais da América do Norte e da África.

Com características diferentes de ilha para ilha e até mesmo de povoação para povoação, todas estas festividades têm em comum a coroação do Imperador e realizam-se desde o Domingo de Pentecostes até ao Verão.

Em São Miguel, realizam-se as festas do Senhor Santo Cristo do Milagres que têm lugar na Igreja do Convento de Nossa Senhora da Esperança, no quinto domingo a seguir à Páscoa. O seu ponto alto é a procissão em que se transporta a imagem do Senhor Santo Cristo, num andor decorado com flores. As ruas são também atapetadas com flores e as janelas e varandas enfeitadas. Também merecem referência as festas São Joaninas, durante as quais se pode assistir a touradas à corda e a esperas de gado. Na cidade da Horta (Faial), têm lugar as Festas do Mar.

O folclore açoriano inclui alguns elementos característicos como a viola de arame, os ferrinhos e os tambores. Na tradição musical, destaca-se a lira, canção que se pode ouvir nas ilhas Terceira, São Jorge, Faial e Flores.

A forte emigração para os Estados Unidos da América deu origem aos “calafonas” ou emigrantes que, devido às suas visitas ou até mesmo ao seu regresso, deram origem a certos hábitos linguísticos que se espalharam pela população. Repare-se, a título de exemplo, que “beibi” significa criança de colo ou bébé e terá origem no termo inglês baby ou então “apesteres”, o andar superior, que terá origem em upstairs.

Outrora era possível ver pequenos carros com cargas leves a serem transportados por carreiros e nas desfolhadas faziam-se bonecas de folha de milho para as crianças. A tradição açoriana inclui naturalmente vários mitos e lendas relacionados com a caça ao cachalote.

No traje açoriano usam-se capas a cobrir a cabeça, barretes cónicos de lã e carapuças de orelhas – as de campanha são típicas das Flores e as de rebuço de São Miguel. São também característicos os chapéus de palha do Pico.

O artesanato adquire diferentes expressões conforme as ilhas: cerâmicas de Lagoa (São Miguel), bordados e rendas (São Miguel, Terceira, Pico e Faial), colchas de tear (São Jorge e Terceira), trabalhos em miolo de figueira, escamas de peixe, palha de trigo (Faial), gravações em dentes e ossos de mandíbulas de cachalote (Pico, Terceira, Faial e São Miguel), capachos feitos de folha de milho e espadana, flores de escamas de peixe, papel e pano, tecelagem de mantas e colchas, trabalhos em vime, objectos de cedro, olaria, trabalhos em ráfia, conchas do mar e madeira.

 

Economia

Apesar da presença do mar, a actividade das populações é predominantemente rural. Em todo o arquipélago, a pecuária é o principal recurso económico, aproveitando as condições naturais que favorecem o desenvolvimento de pastagens. Na agricultura, destacam-se as produções de milho, trigo, beterraba açucareira, ananases e vinho. Apesar da riqueza piscícola dos mares dos Açores, a pesca não se encontra muito desenvolvida, sendo praticada por pequenos grupos. O turismo é uma actividade que, nas últimas décadas, tem assumido um papel de relevo no equilíbrio socioeconómico do arquipélago, revelando-se um importante factor de desenvolvimento e combate ao isolamento insular.

 

Região Autónoma dos Açores. In Diciopédia X [DVD-ROM]. Porto : Porto Editora, 2006. ISBN: 978-972-0-65262-1

Fonte da imagem (adaptada)