Música é Vida! – Música Popular Tradicional Portuguesa

 

MÚSICA – VITA (Música é vida) *

Pedem-me duas palavras para a apresentação deste CD. (…)

Duas palavras? Ei-las: – MÚSICA – VITA. São de boa cepa latina e, por sinal, de fácil compreensão: – A Música é vida. Isto é, deve ser “bela e harmoniosa”. A música popular, autêntica, genuína é o retrato da alma do povo que a concebeu. Sendo assim, não estranhem que entre tantos milhões de discos fonográficos espalhados pelo mundo apareçam álbuns com estas duas palavras: “Rúskaia duschá” – “A alma russa“…

Sim, não há melhor espelho da alma de um povo que as suas canções espontâneas, ingénuas, simples, feitas ao ritmo do trabalho e da vida quotidiana… Quando o povo deixar de cantar a sua própria música ou a trocar por vozes estranhas, destruidoras da sua idiossincrasia, do seu carácter individualizante, chamem os sineiros e ordenem-lhes que toquem à agonia da pátria…

O diapasão da língua pátria está na garganta do povo, mas a sua música (que é vida) anda-lhe na alma, e sem alma nem as planta podem viver.

Bem haja o Rancho Folclórico de Vila Real. Mesmo sem reflexões de ordem filosófica, vai-se entregando, dia a dia, à vivência da nossa música regional, e como as aves, que não reconhecem fronteiras, leva ao longe e ao largo as nossas lindas melodias.

É necessário preservar do olvido as nossas modinhas tradicionais.

Se os nossos compositores de música erudita quiserem levantar o “edifício” da Ópera Portuguesa (sem imitações simiescas de paradigmas estranhos), terão de basear a sua arte nas raízes temáticas das nossas velhas canções, que hoje apenas sobrevivem nalguns ranchos folclóricos mais criteriosos, tantas vezes incompreendidos e menosprezados. E para que ninguém duvide do carinho que eles nos devem merecer, citarei alguns exemplos de grandes compositores estrangeiros que, antes de se lançarem na alta composição, estudaram as canções dos seus respectivos países.

Em Espanha: Pedrell, Manuel de Falla. Na Hungria: Lizt, Béla Bártok. Na Rússia: Mussorgsky, Stravinsky. Na Checoslováquia: Smetana, Dvórak. Na Finlândia: Sibélius. Na Alemanha: Brahms. No Brasil: Villa-Lobos…

(…) Para lá do significado conhecido e reconhecido (Disco Compacto), sugiro uma outra leitura: C.D. = “Cantate Domino“: “Cantai ao Senhor“… Quem canta… reza duas vezes. Quem reza… vive intensamente. Cantai! Vivei! A Música é Vida!

* Texto de Mons. Ângelo Minhava, a propósito do CD “Modinhas de Roda” do Rancho Folclórico de Vila Real – Fregª de Nª Sª da Conceição

 

Suite Alentejana Nº 1 (Fandango) de Luís de Freitas Branco

Suite Alentejana Nº 2 (Final) de Luís de Freitas Branco

Béla Bartók at the piano Rumanian Folk Dances

Brahms, Hungarian Dance No. 5

Liszt, Hungarian Rhapsody No.2 Orchestra