Medicina Popular e Medicina Tradicional

 

A medicina popular está muito próxima da medicina tradicional do tipo erudito. Os antropólogos chamam-lhe também a medicina folk, a qual recobre praticamente os mesmos domínios: a dietética e produtos vegetais, os rituais, manipulações físicas e o religioso.

A medicina popular define-se como o conjunto de conhecimentos e crenças criados pelo povo, quer dizer, pelos profanos não profissionais, e que se opõe ao discurso erudito.

Com efeito, a cultura popular caracteriza-se pela oralidade e por vezes esta oralidade traduz mais facilmente certas adaptações locais e certas adaptações específicas à doença.

(In Medicina Popular – Ensaio de Antropologia Médica, de António Fontes e João Gomes Sanches, Âncora Editora, Colecção “Raízes”, Março de 1999)

 

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Doenças e ervas medicinais – “Todas as plantas têm princípios ativos, capazes de interferir a nível biológico se ingeridos pelo organismo humano. Destiladas, a maioria das plantas produz essências, álcool e gases combustíveis. Associadas a estas substâncias estão outras que, pela sua concentração, dão propriedades específicas às plantas, como é, por exemplo, o caso das papoilas que produzem o ópio.

Existem vários trabalhos dedicados à flora transmontana; como exemplo, em 1984, Berta Nunes, Ana Paula Oliveira e Margarida Cunha Ferreira publicaram um opúsculo intitulado Plantas Medicinais de Barroso, que está longe de abarcar a totalidade da flora medicinal.”

Plantas e ervas medicinais – usos cosméticos e outros – “Desde o dia em que Eva, arrancando uma folha – de parreira ou de figueira (?) – para enfeitar a sua nudez, entendeu que a mãe-natureza lhe podia fornecer as armas do encanto e da sedução. Esta utilização de cosmética e venérea atravessaria todas as antigas culturas – os gregos desenvolveram uma filosofia completa de saúde e beleza à base de plantas; os romanos entregaram-se ainda mais aos cuidados com o corpo; por altura do renascimento fazia-se a separação entre os cuidados da pele e os cuidados de saúde; e, a partir do século XIX, nos Estados Unidos da América, a cosmética organizou-se como atividade industrial, com a utilização de conservantes e a produção em massa.

A “saúde” das ervas – “Durante milhares de anos, o homem guiado pelo mesmo instinto que hoje leva outros animais a se purgarem com certas ervas escolhidas, ele selecionava na natureza os vegetais para a cura dos seus males. E, ao organizar-se em comunidades começa a transmitir às gerações futuras o “fruto do saber” — os celtas, nossos remotos antepassados, conheciam perfeitamente as propriedades das Fontes termais e são imitados pelos legionários romanos; os chineses e os egípcios ensinaram as propriedades do ópio, da romã, do ruibarbo; os gregos e os romanos definiram a utilização das sementes de rícino, da beladona ou da misteriosa mandrágora; os gauleses trouxeram o conhecimento do visco-branco da verbena, da centáurea, da milfurada, do meimendro e da salva.”

As «crendices» das ervas – mezinhas e esconjuros – “Como sempre todas as plantas se mostraram importantes para a humanidade, outrora consideradas filhas divinas da Mãe-Terra. Daí a sua também popularização através de envolvimentos mais ocultos pelos seus «atributos mágicos» em crendices populares, ensalmos, esconjuros, fórmulas de atalhar ou mezinhas criadas pelas chamadas «mulheres de virtude», «talhadeiras» ou «benzedeiras», pelos feiticeiros ou por tantos de nós em rituais que ainda hoje perduram nas nossas aldeias. São alguns desses registos que aqui se enumeram porque também fazem parte da vida e da história destas ervas.»

Plantas aromáticas e medicinais – “Existem plantas aromáticas e medicinais das mais variadas espécies, apresentando consistência herbácea, semi-herbácea ou lenhosa, e com possibilidade de aproveitamento de uma parte da planta ou da sua totalidade. Estas plantas possuem na sua composição, para além das substâncias presentes em todas as outras (como água, sais minerais, ácidos orgânicos, hidratos de carbono ou substâncias proteicas), compostos que as diferenciam e conferem propriedades especiais, tais como alcaloides, glucosídeos, óleos essenciais, taninos, entre outros, permitindo a sua utilização em medicina, na alimentação, como conservante, aromatizante ou no fabrico de cosméticos e perfumes.”

Chás, infusões e tisanas. Que benefícios para a saúde? – O chá mais antigo de todos, conhecido como chá preto, foi descoberto na China há quase 5.000 anos. Trazido para a Europa pelos Portugueses e desenvolvido pelos Ingleses, o chá preto é hoje consumido por pessoas de todo o mundo: pelo seu sabor, pelas suas propriedades preventivas ou curativas, porque ajuda a relaxar ou porque estimula o corpo e a mente, muitas razões são invocadas. Segundo as lendas chinesas, a descoberta do chá e das suas qualidades benéficas terá acontecido quando o imperador Shen Nung, por volta do ano 2737 a. C, decidiu experimentar o resultado da queda acidental de uma folha de árvore em água a ferver: uma infusão refrescante e revitalizante.

À descoberta das esplêndidas ervas aromáticas – Dizem os historiadores que, desde o Paleolítico, o homem se habituou a procurar as ervas mais apropriadas para a alimentação, mas também para a cura dos seus males. As referências, primeiro em cavernas e, mais tarde, em documentos, são prova disso. A Bíblia, o Talmude e o Corão, por exemplo, mencionam e indicam ervas para uso pessoal e cerimonial. Mas a proliferação das ervas e temperos está sobretudo ligada à história dos meios de transporte e à imigração de povos. A sua importância ganha outra dimensão com o empenho dos europeus, em particular dos portugueses, em encontrar um caminho para a Índia, com a finalidade de adquirir especiarias.

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