Ernesto Luís Alves da Veiga de Oliveira | Pessoas

 

Ernesto Luís Alves da Veiga de Oliveira – Nasceu no dia 24 de Julho de 1910, na Foz do Douro – Porto, e faleceu no dia 14 de Janeiro de 1990, em Lisboa. Embora oriundo de famílias nortenhas: Minho, Trás-os-Montes, Douro Litoral, e até da Galiza, teve uma vivência, educação e hábitos verdadeiramente cosmopolitas.

Etnólogo, responsável pela renovação desta Ciência em Portugal, licenciou-se na Faculdade de Direito, em 1932, e na Faculdade de Ciências Histórico-Filosóficas da Universidade de Coimbra, em 1947, já depois de ter ingressado, em 1944, no funcionalismo público.

Tendo descoberto a sua vocação de etnólogo nas diversas viagens que realizou de Norte a Sul de Portugal, durante as quais calcorreou, “a pé, extensas regiões do Pais – uma terra ainda fora do presente, virgem de estradas, de turismo, de poluições: o litoral, do rio Minho ao Tejo; as praias desertas do Algarve; as remotas áreas fronteiriças de Castro Laboreiro ao Gerês e Larouco; a Terra Fria transmontana, de bravios, estevas e lobos; as serras e os rios – atardando-se nas aldeias, empapando-se da sua cultura e assimilando-a, em longa vivência contemplativa participante”.

Em 1932, conheceu Jorge Dias, com quem manteve uma longa amizade. Com este e outros investigadores formou o Centro de Estudos de Etnologia, em 1947.

Em 1965, tornou-se subdirector do Museu de Etnologia, ascendendo ao cargo de director, em 1973, após o falecimento de Jorge Dias. Mantendo-se em funções até 1980, dirigiu, simultaneamente, o Centro de Estudos de Antropologia Cultural. Em 1980, assumiu as funções de director do Centro de Estudos de Etnologia, nas quais se manteve até à data da sua morte, em 1990.

De 1973 a 1978, integrou o corpo redactorial da Revista Ethnologia Europaea. Fez, ainda, parte do International Secretariat for Research on the History of Agricultural Implements.

Dedicou-se à investigação etnográfica e etnológica do território e cultura portugueses. Como investigador, de reconhecidos méritos, publicou inúmeros estudos distribuídos por áreas tão diversas como a etnografia, a arquitectura, o mobiliário, a tecnologia tradicional, festividades cíclicas, museologia e exposições, arte africana e literatura oral.

O Museu de Etnologia, na sua actual concepção, é um reflexo da orientação e especialização de Veiga de Oliveira, como um dos mais rigorosos investigadores da etnologia portuguesa.

Recebeu o Doutoramento Honoris Causa pela Universidade de Évora, em 27 de Julho de 1984, tendo sido seu patrono Ilídio Melo Peres do Amaral.

Fonte: Enciclopédia Universal Multimédia da Texto Editora (1997) – texto adaptado e aumentado