Em defesa da preservação dos usos, costumes e tradições

 

A opinião de especialistas em Folclore e Etnografia!

 

“(…) Nós, portugueses, estamos não nas vésperas, mas em plena fase de perdermos toda essa riqueza do passado. Se não corrermos rapidamente a salvar o que resta, seremos amargamente acusados pelos vindouros, pelo crime indesculpável de ter deixado perder o nosso património tradicional, dando mostras de absoluta incúria e ignorância. Se não o fizermos, daqui a duas gerações podemos ser um povo descaracterizado e profundamente pobre (…)” (Jorge Dias)

 

“Acudamos a tudo, enquanto é tempo! De ano para ano extinguem-se ou transformam-se muitas cousas e surgem outras de novo em vez delas. Com a implantação da República em Portugal acabou o beija-mão no Paço, o trajo da corte, o fardamento dos archeiros. Não é preciso ser muito velho para notar grandes mudanças etnográficas sucedidas numa terra: quem vivendo hoje houvesse nascido nos meados do século XIX, lidou com cruzados, patacos e peças, viu a liteira, ouviu a sanfona – e nada disto existe hoje! Os romances ou xácaras, como é sabido, vão a desaparecer na tradição… Empenhemo-nos por isso na investigação das tradições populares…” (José Leite de Vasconcelos)

 

“Um grupo folclórico (ou rancho folclórico, etnográfico) é por inerência da sua constituição uma força ao serviço da investigação, defesa e promoção dos valores patrimoniais da comunidade em que se insere, no campo específico das tradições orais. Orais e não só, na medida em que estas se articulam com registos escritos e materiais. E é a pensar nisso que muitos ranchos folclóricos têm preferido a designação de etnográficos, ampliando assim os objectivos até à descrição atenta das manifestações culturais das populações, a nível regional, sub-regional e local.” (António Magalhães Cabral)

 

“Há necessidade de nunca esquecer que tanto as cantigas como as músicas e as danças não se limitam a determinada região. Embora tenham tido a sua origem em dado local ou aí haja domínio marcante de certas espécies, observa-se larga difusão de terra em terra. Assim, nota-se que o vira se canta e dança do Minho a Lisboa; o malhão e a chula expandem-se pelo Minho, Douro e Beira Litoral; valiosíssimos corais existem em larga escala no Baixo Alentejo e no Minho; o fandango reina todo poderoso no Ribatejo, mas é igualmente querido em todas as províncias; é «dançado de lés a lés», afirma Armando Leça na sua Música Popular Portuguesa. E inúmeros outros exemplos poderiam ser aduzidos.” (Maria Arminda Zaluar Nunes)