Corridinho e Baile Mandado no Algarve

 

Corridinho

Nos primeiros anos do século XX nasce o célebre “Corridinho”. Facto curioso e que muitos desconhecem é que esta dança teve origem numa dança de salão nascida nos meados do século passado [séc. XIX], algures na Europa oriental, e trazida para o Algarve por um espanhol chamado Lorenzo Alvarez Garcia, que decidiu cortejar a jovem louletana Maria da Conceição, dedicando-lhe La Azucena – uma polca. O “Corridinho” nasce então como dança de cortejo.

Instrumento fundamental do “Corridinho” é o acordeão, que chegou à região algarvia nos finais do século XIX. O novo instrumento popularizou-se rapidamente, enriquecendo os repertórios locais. As danças de salão então em voga – as polcas e as mazurcas – passam a entrar, interpretadas em acordeão, nos bailaricos do campo ao lado dos velhos sarilhos e bailes de roda. Os tocadores inventam-nas e reinventam-nas, acabando por nascer o “Corridinho”.

O “Corridinho” era bailado com os pares sempre agarrados, formando uma roda, as raparigas por dentro e os rapazes por fora. Ao girar da roda, os pares evoluem, portanto, de lado. A certa altura, «quando a música repica», «o bailho é rebatido», isto é, os pés batem no chão com mais vigor, parando a roda, para prosseguir logo de seguida. Mais adiante, os pares «valseiam», entenda-se bailam agarrados girando no mesmo lugar, após o que a roda de novo retoma a sua evolução, sempre para o lado direito. Com algumas variantes de pormenor, foi assim que captámos a coreografia do “Corridinho” estremenho.

 

Baile Mandado

Esta dança apareceu por influência dos franceses que, entre 1807 e 1810, invadiram Portugal por três vezes.

Os pares fazem uma roda, executando movimentos e seguindo quem comanda, o qual vai contando uma história que rima ou uma quadra satírica mas sem malícia.

 

 

A dança pode prolongar-se por tempos indeterminados, visto tudo depender da resistência da pessoa que dança e da inspiração de quem “manda”.

Quando a pessoa que canta a histórica fica cansada ou sem imaginação chama-se outro comandante, que é quase sempre do sexo oposto.

Fonte dos textos: site já desativado | Imagem: Ilustração de Mário Costa (1902-1975)