As crianças no Folclore | Textos e opiniões

Quero deixar aqui a minha opinião, sobre um assunto que, se não fosse a pertinência do mesmo, diria ser nojento, pela maneira como está a ser exposto e do aproveitamento de baixo nível que está a ser feito: Os grupos e ou/ranchos infantis!

Se eu quisesse ir ao fundo da questão até encontraria o fio à meada, se eu quisesse «sangue» até saberia onde tocar e o alcance de algumas pessoas ao trazerem este tema à praça pública e, mais uma vez, meterem a FFP ao barulho. Já se falou aqui tanta vez nisto e sinto que falta coragem a algumas pessoas para expor a causa da sua angústia. Neste aspecto só direi que as coisas e as pessoas têm nome. Quando se atira a moeda ao ar e depois deixam que a maralha brigue para ver quem a apanha, deviam era mencionar o nome das pessoas que querem atingir e a causa de tanto azedume, em vez de estarem a achincalhar o movimento. Por isso somos tratados abaixo de lixo, os «palhaços» do poveco, que não merecem crédito e só querem dar uns pinotes e tocar castanholas a troco de umas sandes e umas minis.

Em relação a este tema, é de meu entendimento o seguinte: as crianças fazem parte da sociedade (era o que faltava se assim não fosse), podem e devem fazer parte das recriações nos grupos de folclore ou folclóricos. O nome é subjectivo, podem chamar o que quiserem aos grupos formados só por crianças, no meu entendimento não é relevante, tal como o nome adoptado pelos grupos de adultos, o que conta e que deve ser levado em linha de conta é o conteúdo e a essência do próprio grupo. Ou alguém pensa que um ajuntamento de pessoas ou de forma mais pomposa, uma associação, tem mais valor ou estatuto só por se chamar “Os bonitinhos de Alguidares de Cima” em vez de Rancho ou Grupo de Folclore?

Um grupo formado só por crianças ou as crianças integradas num qualquer grupo adulto, devem ser representativas da vida das crianças de antanho. Devem representar/recriar as brincadeiras, os jogos populares, as modinhas, as lengalengas e trava-línguas tão usuais nesta faixa etária. Os meninos devem trajar-se tal como acontecia na época que representam. Agora ter um grupo de homens e mulheres em miniatura… Nunca! Isso é brincadeira e não tem nenhum carácter representativo porque estão a desvirtuar a verdade histórica.

Chamem-lhe escola, grupo de brincadeiras, rancho infantil… o que quiserem, desde que cumpram os pressupostos atrás enumerados. Tudo que for transversal a isto é agir de má-fé e tentar denegrir o folclore. Há gente que aqui coabita que alimenta o movimento dos desalinhados e se alimenta dele, porquanto o organismo que representa o folclore em Portugal lhes tira o sono. Não gostam não provam, não devem falar daquilo que lhes diz respeito, porque isso é falta do mesmo.

Vamos deixar de falar vagamente e criar guerrinhas desnecessárias, o folclore é quem perde. Se acham que algo está mal, denunciem, chamem os “bois pelos nomes” e que se discuta perante os factos o que se pode ou não fazer. Esta é a minha opinião, tão somente isso, mas que julgo ir ao encontro de muitas opiniões convergentes que alinham pelo mesmo diapasão.

Custódio Rodrigues (texto e imagem de destaque)
Texto e imagem retirados do grupo no FB “Etnografia e Folclore – Fórum de Debate e Partilha”. Autorizada a publicação no Portal do Folclore Português pelo autor